domingo, 4 de junho de 2017

Lua cheia

Autor: Matheus Ernandes Monteiro de Moraes

Bate-me um desejo sombrio
As velas que se apagam
A brisa que se estremece
Ouço pisadas fortes de cavalos na areia
Gritos enlouquecem-me!

A lua é cheia...
Sinto-a que em minha vazante se assenta
Em minhas entranhas começa a revolução
Sua vigilância é valetudinária

O corpo ganha forma, os pelos nascem em uníssono
Um eldorado me habita, saqueia-me o espírito
A força autônoma que me impulsa o uivo
A fera que se corporifica em mim

Uma sede umbilical que se irrompe
O mal cheiro que se incute gradativamente
Os reflexos que se conflagram
Outrossim, a anuência que coexiste

Mas as palavras já não continuam lá, fleumáticas.

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