segunda-feira, 23 de abril de 2018

O Homem do novo século

Por mais complexo que o século XXI aparenta ser, não se pode escapar à consciência de que ditou novos rumos para evolução do pensamento humano, em especial a forma com que olhamos para o outro, não com um rótulo ou classificação social, vemo-lo a partir de nós mesmos, isto é, não só como seres que temos limitações, medos, dificuldades, mas sim, capazes de nos relacionar, exprimir anseios, emoções, gerar confiança, autocontrole, sermos produtivos, enfim, de pormos nossa indumentária essencial: o altruísmo. Assim, passamos a nos conceber como seres mutáveis, diversos em moral e cultura.
Isso, nem a história atemporal fora capaz de amolgar, porque o homem se levantou de seu ócio, subscreveu sua manumissão. Ariscou-se em uma mudança integradora e homoexponencial – a capacidade do ser humano de ir além de sua matéria carnal, possuidor de uma hombridade inócua e ilibada, esta, uma moeda cultural, que lhe permite a troca de empirismo cotidiano, outrossim, que facilita o processo de coexistência.
Outrora, essa mesma diversidade, os valores que hoje são universais, confrontaram com a permissão das leis antigas, estas, resumo de uma mentalidade avulsa, incompleta, desnorteada, sem nexo nem pertinência em comparações sistemáticas às acepções psicoculturais que jazem na contemporaneidade. Antes, vivia-se o espectador, um cara amargado pelas correntes do inatismo, da seleção genética, pelas políticas de eugenia – termo, este, cunhado por Francis Galton, em 1883, para definir o insumo populacional de “bem nascido”. Devido a estas políticas, muitas pessoas que não respondiam a tal padrão físico ou mental exigido, eram mutiladas ou abandonadas à própria sorte, a justificativa não era apenas um fator de ódio implícito, mas também, ora uma forma da nação de população de poucos direitos se exonerarem da responsabilidade dos “inúteis”, ora usar o homem como instrumento de guerra (a preocupação com um corpo ideal), já que essas nações viviam sempre em conflitos.
Com o advento das novas tecnologias e o desenvolvimento da Ciência, esse olhar imperial, foi aos poucos se desfazendo, dando lugar ao “homem expectador”, aquele que busca não se deixar obscurecer por esses fatais resquícios históricos da humanidade, aquele aventureiro de alma limpa. Um homem destinado a inovar-se a cada nova incumbência de destinos. Um homem mais permissivo do que impositivo. Este é o novo semblante da humanidade, o padrão de homem ainda esperado para o século XXI: o homem determinado.

Matheus Ernandes Monteiro de Moraes, Faculdade Educacional da Lapa (FAEL), graduando no curso Licenciatura em Letras: Línguas Portuguesa e Espanhola.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Https://pt.wikipedia.org/wiki/Eugenia
O. de A. Passos, Marileni. de Camargo Bastos, Vívian. O. de Gomes, Walquíria. Fundamentos e Metodologia do Ensino Especial.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Uma língua construída por variações

Autor: Matheus Ernandes Monteiro de Moraes

No que se refere às variações linguísticas, importa destacar que sua ascensão foi histórica e gradativamente construída, e, se considerarmos o fato de uma língua que ainda possua usuários, estão sujeitas a serem moldadas para que se possam engendrar em novos tempos, a se adaptarem aos novos paradigmas e acepções psicoculturais. Outrossim, vale destacar que o processo, pelo qual a comunicação é explorada, deve exacerbar a continuidade da língua, porque ele é responsável pelos diversos formatos que a mesma adquire, basta fazermos uma pesquisa diacrônica da língua que estiver sendo considerada, por exemplo. Desse modo, ela só adquire esses novos formatos quando o código estiver em uso, porque partem da experiência intrínseca do indivíduo com o meio em que está inserido.
        Sabe-se que as variações são classificadas entre formais e coloquiais, enquanto seus estudos asseveram sobre a importância do comportamento linguístico, isto é, em que situações optaremos por uma ou outra variação da língua. Por isso, faz-se necessária a compreensão do conhecimento linguístico acumulado até então, porque conhecer as vertentes de uma língua é um primeiro passo para saber por quê, quando e como usá-la. O segundo passo seria romper com as amarras do preconceito linguístico, que está impregnado no seio da sociedade, o qual define previamente quais são os papéis sociais de cada variação, sem pôr em pauta suas negociações de uso que ocorrem entre contextos, ressalvando que cada variação serve para designar uma posição social, cria-se, então, paradigmas linguísticos dicotômicos.
        Em análise, o poema de Oswaldo de Andrade, intitulado Pronominais, mostra a divisão da sociedade em dois português, nas expressões dos versos: “dê-me um cigarro” – “gramática do professor e do aluno e do mulato sabido”; e, “me dá um cigarro” – “o bom negro e o bom branco”. Grifo que a norma padrão não é usada por ser requintada, ao menos, isso torna seus usuários, malfazejos, ou padroniza uma expectativa social. Ela é mais uma opção, que auxilia o usuário da língua no ato de comunicação, já que esta só terá continuidade caso os componentes do discurso dominem o código usado, então, não adiantaria usar a norma padrão em um contexto em que haja coloquialidade, tal-qualmente, o conselho serve se a situação for contrária.
      Por conseguinte, em um ambiente marcado pela diversidade linguística, integrá-la é valorizar costumes, respeitar formações identitárias pré-concebidas. As variações são encaradas, hoje, como construtoras da cultura do país e juntas formam a língua, no caso do Brasil, a Portuguesa. Por isso, importa dizer que o aspecto social das mesmas é de formação original, expressam o modo de vida de um grupo de pessoas, reúnem sabores, envolvem-se nas formas de se relacionar, despertam uma ideologia complexa e neutra, isto é, refletem um conjunto de ações e necessidades humanas que as modificam no galgar do tempo e são contribuintes para o engendramento de novos discípulos, sem mensurá-los ou estabelecer uma linha paralela entre as variedades da língua, impondo, assim, a não anuência de uma intersecção natural entre as mesmas.