sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Uma língua construída por variações

Autor: Matheus Ernandes Monteiro de Moraes

No que se refere às variações linguísticas, importa destacar que sua ascensão foi histórica e gradativamente construída, e, se considerarmos o fato de uma língua que ainda possua usuários, estão sujeitas a serem moldadas para que se possam engendrar em novos tempos, a se adaptarem aos novos paradigmas e acepções psicoculturais. Outrossim, vale destacar que o processo, pelo qual a comunicação é explorada, deve exacerbar a continuidade da língua, porque ele é responsável pelos diversos formatos que a mesma adquire, basta fazermos uma pesquisa diacrônica da língua que estiver sendo considerada, por exemplo. Desse modo, ela só adquire esses novos formatos quando o código estiver em uso, porque partem da experiência intrínseca do indivíduo com o meio em que está inserido.
        Sabe-se que as variações são classificadas entre formais e coloquiais, enquanto seus estudos asseveram sobre a importância do comportamento linguístico, isto é, em que situações optaremos por uma ou outra variação da língua. Por isso, faz-se necessária a compreensão do conhecimento linguístico acumulado até então, porque conhecer as vertentes de uma língua é um primeiro passo para saber por quê, quando e como usá-la. O segundo passo seria romper com as amarras do preconceito linguístico, que está impregnado no seio da sociedade, o qual define previamente quais são os papéis sociais de cada variação, sem pôr em pauta suas negociações de uso que ocorrem entre contextos, ressalvando que cada variação serve para designar uma posição social, cria-se, então, paradigmas linguísticos dicotômicos.
        Em análise, o poema de Oswaldo de Andrade, intitulado Pronominais, mostra a divisão da sociedade em dois português, nas expressões dos versos: “dê-me um cigarro” – “gramática do professor e do aluno e do mulato sabido”; e, “me dá um cigarro” – “o bom negro e o bom branco”. Grifo que a norma padrão não é usada por ser requintada, ao menos, isso torna seus usuários, malfazejos, ou padroniza uma expectativa social. Ela é mais uma opção, que auxilia o usuário da língua no ato de comunicação, já que esta só terá continuidade caso os componentes do discurso dominem o código usado, então, não adiantaria usar a norma padrão em um contexto em que haja coloquialidade, tal-qualmente, o conselho serve se a situação for contrária.
      Por conseguinte, em um ambiente marcado pela diversidade linguística, integrá-la é valorizar costumes, respeitar formações identitárias pré-concebidas. As variações são encaradas, hoje, como construtoras da cultura do país e juntas formam a língua, no caso do Brasil, a Portuguesa. Por isso, importa dizer que o aspecto social das mesmas é de formação original, expressam o modo de vida de um grupo de pessoas, reúnem sabores, envolvem-se nas formas de se relacionar, despertam uma ideologia complexa e neutra, isto é, refletem um conjunto de ações e necessidades humanas que as modificam no galgar do tempo e são contribuintes para o engendramento de novos discípulos, sem mensurá-los ou estabelecer uma linha paralela entre as variedades da língua, impondo, assim, a não anuência de uma intersecção natural entre as mesmas.