Autor: Matheus Ernandes Monteiro de Moraes
No
que se refere às variações linguísticas, importa destacar que sua ascensão foi
histórica e gradativamente construída, e, se considerarmos o fato de uma língua
que ainda possua usuários, estão sujeitas a serem moldadas para que se possam
engendrar em novos tempos, a se adaptarem aos novos paradigmas e acepções
psicoculturais. Outrossim, vale destacar que o processo, pelo qual a
comunicação é explorada, deve exacerbar a continuidade da língua, porque ele é
responsável pelos diversos formatos que a mesma adquire, basta fazermos uma
pesquisa diacrônica da língua que estiver sendo considerada, por exemplo. Desse
modo, ela só adquire esses novos formatos quando o código estiver em uso,
porque partem da experiência intrínseca do indivíduo com o meio em que está inserido.
Sabe-se que as variações são
classificadas entre formais e coloquiais, enquanto seus estudos asseveram sobre
a importância do comportamento linguístico, isto é, em que situações optaremos
por uma ou outra variação da língua. Por isso, faz-se necessária a compreensão
do conhecimento linguístico acumulado até então, porque conhecer as vertentes
de uma língua é um primeiro passo para saber por quê, quando e como usá-la. O
segundo passo seria romper com as amarras do preconceito linguístico, que está
impregnado no seio da sociedade, o qual define previamente quais são os papéis
sociais de cada variação, sem pôr em pauta suas negociações de uso que ocorrem
entre contextos, ressalvando que cada variação serve para designar uma posição
social, cria-se, então, paradigmas linguísticos dicotômicos.
Em análise, o poema de Oswaldo de
Andrade, intitulado Pronominais, mostra a divisão da sociedade em dois
português, nas expressões dos versos: “dê-me um cigarro” – “gramática do
professor e do aluno e do mulato sabido”; e, “me dá um cigarro” – “o bom negro
e o bom branco”. Grifo que a norma padrão não é usada por ser requintada, ao
menos, isso torna seus usuários, malfazejos, ou padroniza uma expectativa
social. Ela é mais uma opção, que auxilia o usuário da língua no ato de
comunicação, já que esta só terá continuidade caso os componentes do discurso
dominem o código usado, então, não adiantaria usar a norma padrão em um
contexto em que haja coloquialidade, tal-qualmente, o conselho serve se a situação
for contrária.
Por conseguinte, em um ambiente
marcado pela diversidade linguística, integrá-la é valorizar costumes,
respeitar formações identitárias pré-concebidas. As variações são encaradas,
hoje, como construtoras da cultura do país e juntas formam a língua, no caso do
Brasil, a Portuguesa. Por isso, importa dizer
que o aspecto social das mesmas é de formação original, expressam o modo de
vida de um grupo de pessoas, reúnem sabores, envolvem-se nas formas de se
relacionar, despertam uma ideologia complexa e neutra, isto é, refletem um
conjunto de ações e necessidades humanas que as modificam no galgar do tempo e
são contribuintes para o engendramento de novos discípulos, sem mensurá-los ou
estabelecer uma linha paralela entre as variedades da língua, impondo, assim, a
não anuência de uma intersecção natural entre as mesmas.