terça-feira, 14 de novembro de 2017

O analfabetismo: a importância de educar

Autor: Matheus Ernandes Monteiro de Moraes 

No Brasil, sabe-se que o analfabetismo é consequência tanto de processos e legislações políticas quanto da abertura de espaços para a modernização ainda no rompante do século XX. O dicionário Larousse Cultural (1992) define moderno como sendo aquilo “que pertence ao tempo presente ou a uma época relativamente recente; hodierno, atual”. O desejo de inovar, a preocupação do governo em exibir uma imagem de sociedade saudável, vista, muitas vezes, pelo viés das guerras de resistência que sucederam pelo período, cito as Revoltas da Vacina e da Chibata, 1904 e 1910, respectivamente, ambas ocorridas no Rio de Janeiro; contribuíram para a marginalização das pessoas de classe social desvalida, já que estas foram desabitadas dos grandes centros afim de transformar tais intenções em projetos modernistas.
O percurso do analfabetismo é extenso, contudo, pode-se notar, em 1960, por exemplo, que esteve atrelado à retomada do processo de migração sentido Amazônia, para extração do látex, com massa popular composta basicamente por nordestinos a busca de melhores condições de vida. Outrossim, como apontam pesquisas realizadas por Suzana e Marilei (2007), também cabe a ele a responsabilidade da crise econômica industrial nacional, ocorrida ainda no ano sessenta. Nesse ínterim, surgem os Movimentos de Educação Popular, em que houve reunião entre intelectuais da educação acerca do método freireano, cujo objetivo era minimizar o percalço, senão erradicá-lo. Outro fator importante, a LDB de 1971, que voltou a atenção para a educação básica, salvaguardando a formação do pupilo, assim, definindo desde regras, habilidades e compromissos. Alertando que as eventuais questões apresentadas ao cenário social do país exigiam novos olhares metodológicos, humanistas, integracionistas, que formassem o cidadão ativo e consciente de seus atos na sociedade.
A rede de notícias UOL (2016), ao citar uma pesquisa realizada em Todos Pela Educação (2016), reafirmou que são cerca de 2,8 milhões de brasileiros sem acesso à educação. No que tange a perspectiva social da educação, tendo por base o contexto histórico em que se desenvolveu a educação brasileira, nota-se que os números ainda são alarmantes e que atingem principalmente o leito das classes menos privilegiadas, o que muito se deve à desigual redistribuição da riqueza no país.
Se, por meio da Constituição Federal de 1988, o Estado brasileiro se comprometeu, juntamente com a família, em seu art. 205, a oferecer o ensino a todos; parte daqui a iniciativa em desenvolver estratégias que garantam a permanência e o acesso ao ensino, inclusive aos que não o fizeram na idade certa. E cabe aos ente federados a fiscalização e o incentivo ao ensino. Para isso, programas sociais como o Bolsa Família, se bem aplicados, poderão ser ferramentas importantíssimas, quando olhamos para as questões sociais que ocorrem em nosso país, como a fome, a miséria, crianças que largam os estudos para trabalhar, devido o alto índice de pobreza existente em algumas regiões. Não somente os programas sociais são de grande apreço, mas também, que a sociedade passe a integrar essa população, por meio de ofertas de emprego para a família. Na condição de aprendiz, dever-se-á respeitar aos dispositivos da Lei 10.097, de 19 de dezembro do ano 2000.
Em um contexto de crise política, como a atual vivenciada pelo país, muitos paradigmas e acepções sociais tornam-se motivos de galhofa ou descontentamento por parte dos telespectadores da engendrada trama. Contudo, importa destacar que esse é o momento exato de revisar nossas ideologias e promover reformas na central da sociedade: o governo, as políticas públicas, o pleno exercício das leis, educação, saúde, moradia. E, sabe-se que a instituição escolar é a porta-voz das inquietações sociais, por isso, faz-se necessário se utilizar da educação, embasada em métodos científicos, como ferramenta para a construção de uma nova mentalidade à respeito do cidadão – este, peça fundamental do processo de anexação da identidade cultural e formação conscientizada para agir ativamente na sociedade, provocando mudanças em prol do coletivo. Também, parte dessa conscientização a solução de problemas enfrentados na educação.
Para que se possa olhar para o passado histórico da educação, faz-se necessário romper com as amarras da dicotomia escolas de antes eram mais formativas que as de hoje, porque, é indubitável dizer que as falhas no ensino das escolas de hoje se resultaram das contribuições, que antes eram tidas como pertinentes. Portanto, o que se tem a propor é desconstruir esse cenário para que se possa inová-lo. Entretanto, isso não é uma tarefa fácil, porque estaríamos mexendo com a estrutura de toda uma sociedade, isto é, nas acepções psicoculturais – sobretudo, as ideológicas, políticas e econômicas – que se solidificaram no seio da mesma.
Para isso, o professor deve ter uma formação universitária e continuada. Assim, desenvolvendo planos de carreira, metodologias e conhecer os caminhos para uma educação universal. Poderá compartilhar, no meio acadêmico, experiências em sala de aula e resultados pedagógicos com outros versados nas relações humanas ou receber auxílio de renomados autores que se acamparam nos estudos educacionais. Concomitantemente, elaborando estratégias para tecer as indumentárias da inclusão e da diversidade, isto é, construindo um pensamento mais humanizado e tolerante. 
Por conseguinte, o analfabetismo é uma herança histórica, por isso, sempre esteve presente na consolidação das estruturas sociais então vigentes, o que influencia na qualidade de vida da população, no rendimento profissional. Assim, deve-se buscar, por meio de políticas públicas, incentivar o letramento de crianças e jovens, que não tiveram acesso à educação na idade própria. Para tanto, vale ressaltar que a educação é social, portanto, não só ao governo ou não só à escola cabe a responsabilidade do progresso educativo, à sociedade também. Unidos, poderão desenhar uma nação próspera e esperar que os efeitos se desabrochem. E uma nação sem pobreza e com índices sérios de educação de qualidade, é uma nação economicamente organizada. Então, o primeiro passo a ser dado, em uníssono, é romper com as amarras da dicotomia dominantes e dominados, que ainda impregnam mentalidades avulsas. Outrossim, é pertinente anuir sobre a importância da divisão da rotina escolar – trabalhos teórico e prático, o uso tecnológico nos planejamentos pedagógicos, bem como, a seleção informativa e adaptação dos variados textos que circulam na íntegra, intimamente ligados à função social da educação. E volto a afirmar sobre o trabalho transdisciplinar e sua influência para a adesão cultural do discípulo.

Um comentário:

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